{"id":5017,"date":"2023-09-15T15:22:22","date_gmt":"2023-09-15T18:22:22","guid":{"rendered":"https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/?p=5017"},"modified":"2023-09-20T17:41:49","modified_gmt":"2023-09-20T20:41:49","slug":"documento-final-da-iii-marcha-das-mulheres-indigenas-e-entregue-as-autoridades-em-brasilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/2023\/09\/15\/documento-final-da-iii-marcha-das-mulheres-indigenas-e-entregue-as-autoridades-em-brasilia\/","title":{"rendered":"Documento final da III Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas \u00e9 entregue as autoridades, em Bras\u00edlia"},"content":{"rendered":"\n<p>Durante  cinco dias de rodas de conversas, debates e constru\u00e7\u00f5es de propostas em prol das mulheres ind\u00edgenas  dos 6 biomas brasilierios,  em Bras\u00edlia, as representantes de mais de 130 povos ind\u00edgenas que participaram da I Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas, em destaque a delega\u00e7\u00e3o piauiense que levou as etnias  Akro\u00e1, Gamela, Guegu\u00ea de Sangue, Guajajara, Kariri, Tabajara Tapuio, Tabajara de Piripiri, Warao Venezuela, construiram propostas que dar visibilidade a mulher ind\u00edgena e garante a sobreviv\u00eancia do seu povo respeitando os costumes e tradi\u00e7\u00f5es de cada aldeia.<\/p>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do  documento final da Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas foi produzido por varias m\u00e3os e resultou em conquista como assinatura do acordo de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica entre o Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas e o Minist\u00e9rio das Mulheres, representa o compromisso de ambas as partes no desenvolvimento de politicas p\u00fablicas para as mulheres que visam \u00e0 preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra as mulheres ind\u00edgenas, que ser\u00e1 desenvolvido na pr\u00e1tica em parceria com as Secretarias de Mulheres dos territ\u00f3rios brasileiros. A aplica\u00e7\u00e3o desta parceria acontecer\u00e1 nas Casa da Mulher Brasileira e o primeiro munic\u00edpio at\u00e9 atendimento especializado para as mulheres ind\u00edgenas ser\u00e1 o munc\u00edpio de Dourados, no Mato Grosso do Sul e durante o evento foi anunciado que ter\u00e1 implementa\u00e7\u00e3o desta pol\u00edtica de Casas da Mulher Indigena por bioma (Caatinga, Mata Atl\u00e2ntica, Cerrado, Pampa, Pantanal e Amaz\u00f4nia).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-1024x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5018\" srcset=\"https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-300x300.jpeg 300w, https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-150x150.jpeg 150w, https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-768x768.jpeg 768w, https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-420x420.jpeg 420w, https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-540x540.jpeg 540w, https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-780x780.jpeg 780w, https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-947x947.jpeg 947w, https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-624x624.jpeg 624w, https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p> <\/p>\n\n\n\n<p>Confira o documento<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>DOCUMENTO FINAL DA MARCHA DAS MULHERES IND\u00cdGENAS: \u201cTERRIT\u00d3RIO: NOSSO CORPO, NOSSO ESP\u00cdRITO\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, 2.500 mulheres de mais de 130 diferentes povos ind\u00edgenas, representando todas as regi\u00f5es do Brasil, reunidas em Bras\u00edlia (DF), no per\u00edodo de 10 a 14 de agosto de 2019, concebemos coletivamente esse grande encontro marcado pela realiza\u00e7\u00e3o do nosso 1\u00ba F\u00f3rum e 1\u00aa Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas, queremos dizer ao mundo que estamos em permanente processo de luta em defesa do \u201cTerrit\u00f3rio: nosso corpo, nosso esp\u00edrito\u201d. E para que nossas vozes ecoem em todo o mundo, reafirmamos nossas manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto mulheres, lideran\u00e7as e guerreiras, geradoras e protetoras da vida, iremos nos posicionar e lutar contra as quest\u00f5es e as viola\u00e7\u00f5es que afrontam nossos corpos, nossos esp\u00edritos, nossos territ\u00f3rios. Difundindo nossas sementes, nossos rituais, nossa l\u00edngua, n\u00f3s iremos garantir a nossa exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas foi pensada como um processo, iniciado em 2015, de forma\u00e7\u00e3o e empoderamento das mulheres ind\u00edgenas. Ao longo desses anos dialogamos com mulheres de diversos movimentos e nos demos conta de que nosso movimento possui uma especificidade que gostar\u00edamos que fosse compreendida. O movimento produzido por nossa dan\u00e7a de luta, considera a necessidade do retorno \u00e0 complementaridade entre o feminino e o masculino, sem, no entanto, conferir uma ess\u00eancia para o homem e para a mulher. O machismo \u00e9 mais uma epidemia trazida pelos europeus. Assim, o que \u00e9 considerado viol\u00eancia pelas mulheres n\u00e3o ind\u00edgenas pode n\u00e3o ser considerado viol\u00eancia por n\u00f3s. Isso n\u00e3o significa que fecharemos nossos olhos para as viol\u00eancias que reconhecemos que acontecem em nossas aldeias, mas sim que precisamos levar em considera\u00e7\u00e3o e o intuito \u00e9 exatamente contrapor, problematizar e trazer reflex\u00f5es cr\u00edticas a respeito de pr\u00e1ticas cotidianas e formas de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contempor\u00e2neas entre n\u00f3s. Precisamos dialogar e fortalecer a pot\u00eancia das mulheres ind\u00edgenas, retomando nossos valores e mem\u00f3rias matriarcais para podermos avan\u00e7ar nos nossos pleitos sociais relacionados aos nossos territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Somos totalmente contr\u00e1rias \u00e0s narrativas, aos prop\u00f3sitos, e aos atos do atual governo, que vem deixando expl\u00edcita sua inten\u00e7\u00e3o de exterm\u00ednio dos povos ind\u00edgenas, visando \u00e0 invas\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o genocida dos nossos territ\u00f3rios pelo capital. Essa forma de governar \u00e9 como arrancar uma \u00e1rvore da terra, deixando suas ra\u00edzes expostas at\u00e9 que tudo seque. N\u00f3s estamos fincadas na terra, pois \u00e9 nela que buscamos nossos ancestrais e por ela que alimentamos nossa vida. Por isso, o territ\u00f3rio para n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 um bem que pode ser vendido, trocado, explorado. O territ\u00f3rio \u00e9 nossa pr\u00f3pria vida, nosso corpo, nosso esp\u00edrito.<\/p>\n\n\n\n<p>Lutar pelos direitos de nossos territ\u00f3rios \u00e9 lutar pelo nosso direito \u00e0 vida. A vida e o territ\u00f3rio s\u00e3o a mesma coisa, pois a terra nos d\u00e1 nosso alimento, nossa medicina tradicional, nossa sa\u00fade e nossa dignidade. Perder o territ\u00f3rio \u00e9 perder nossa m\u00e3e. Quem tem territ\u00f3rio, tem m\u00e3e, tem colo. E quem tem colo tem cura.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando cuidamos de nossos territ\u00f3rios, o que naturalmente j\u00e1 \u00e9 parte de nossa cultura, estamos garantindo o bem de todo o planeta, pois cuidamos das florestas, do ar, das \u00e1guas, dos solos. A maior parte da biodiversidade do mundo est\u00e1 sob os cuidados dos povos ind\u00edgenas e, assim, contribu\u00edmos para sustentar a vida na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>A liberdade de express\u00e3o em nossas l\u00ednguas pr\u00f3prias, \u00e9 tamb\u00e9m fundamental para n\u00f3s. Muitas de nossas l\u00ednguas seguem vivas. Resistiram \u00e0s viol\u00eancias coloniais que nos obrigaram ao uso da l\u00edngua estrangeira, e ao apagamento de nossas formas pr\u00f3prias de expressar nossas viv\u00eancias. N\u00f3s mulheres temos um papel significativo na transmiss\u00e3o da for\u00e7a dos nossos saberes ancestrais por meio da transmiss\u00e3o da l\u00edngua.<\/p>\n\n\n\n<p>Queremos respeitado o nosso modo diferenciado de ver, de sentir, de ser e de viver o territ\u00f3rio. Saibam que, para n\u00f3s, a perda do territ\u00f3rio \u00e9 falta de afeto, trazendo tristeza profunda, atingindo nosso esp\u00edrito. O sentimento da viola\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio \u00e9 como o de uma m\u00e3e que perde seu filho. \u00c9 desperd\u00edcio de vida. \u00c9 perda do respeito e da cultura, \u00e9 uma desonra aos nossos ancestrais, que foram respons\u00e1veis pela cria\u00e7\u00e3o de tudo. \u00c9 desrespeito aos que morreram pela terra. \u00c9 a perda do sagrado e do sentido da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, tudo o que tem sido defendido e realizado pelo atual governo contraria frontalmente essa forma de prote\u00e7\u00e3o e cuidado com a M\u00e3e Terra, aniquilando os direitos que, com muita luta, n\u00f3s conquistamos. A n\u00e3o demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas, o incentivo \u00e0 libera\u00e7\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o e do arrendamento, a tentativa de flexibiliza\u00e7\u00e3o do licenciamento ambiental, o financiamento do armamento no campo, os desmontes das pol\u00edticas indigenista e ambiental, demonstram isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso dever como mulheres ind\u00edgenas e como lideran\u00e7as, \u00e9 fortalecer e valorizar nosso conhecimento tradicional, garantir os nossos saberes, ancestralidades e cultura, conhecendo e defendendo nosso direito, honrando a mem\u00f3ria das que vieram antes de n\u00f3s. \u00c9 saber lutar da nossa forma para potencializar a pr\u00e1tica de nossa espiritualidade, e afastar tudo o que atenta contra as nossas exist\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Por tudo isso, e a partir das redes que tecemos nesse encontro, n\u00f3s dizemos ao mundo que iremos lutar incansavelmente para:<\/p>\n\n\n\n<ol>\n<li>Garantir a demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas, pois violar nossa m\u00e3e terra \u00e9 violentar nosso pr\u00f3prio corpo e nossa vida;<\/li>\n\n\n\n<li>Assegurar nosso direito \u00e0 posse plena de nossos territ\u00f3rios, defendendo-os e exigindo do estado brasileiro que pro\u00edba a explora\u00e7\u00e3o minerat\u00f3ria, que nos envenena com merc\u00fario e outras subst\u00e2ncias t\u00f3xicas, o arrendamento e a cobi\u00e7a do agroneg\u00f3cio e as invas\u00f5es ilegais que roubam os nossos recursos naturais e os utilizam apenas para gerar lucro, sem se preocupar com a manuten\u00e7\u00e3o da vida no planeta;<\/li>\n\n\n\n<li>Garantir o direito irrestrito ao atendimento diferenciado \u00e0 sa\u00fade a nossos povos, com a manuten\u00e7\u00e3o e a qualifica\u00e7\u00e3o do Subsistema e da Secretaria Especial Sa\u00fade Ind\u00edgena (SESAI). Lutamos e seguiremos lutando pelos servi\u00e7os p\u00fablicos oferecidos pelo SUS e pela manuten\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da Pol\u00edtica Nacional de Atendimento \u00e0 Sa\u00fade a nossos povos, seja em nossos territ\u00f3rios, ou em contextos urbanos.<br>N\u00e3o aceitamos a privatiza\u00e7\u00e3o, a municipaliza\u00e7\u00e3o ou estadualiza\u00e7\u00e3o do atendimento \u00e0 sa\u00fade dos nossos povos.<br>Lutamos e lutaremos para que a gest\u00e3o da SESAI seja exercida por profissionais que re\u00fanam qualifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e pol\u00edticas que passem pela compreens\u00e3o das especificidades envolvidas na presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de sa\u00fade aos povos ind\u00edgenas. N\u00e3o basta termos uma ind\u00edgena \u00e0 frente do \u00f3rg\u00e3o. \u00c9 preciso garantirmos uma gest\u00e3o sens\u00edvel a todas as quest\u00f5es que nos s\u00e3o caras no \u00e2mbito desse tema, respeitando nossas pr\u00e1ticas tradicionais de promo\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, nossas medicinas tradicionais, nossas parteiras e modos de realiza\u00e7\u00e3o de partos naturais, e os saberes de nossas lideran\u00e7as espirituais. Conforme nossas ci\u00eancias ind\u00edgenas, a sa\u00fade n\u00e3o prov\u00e9m da somente da prescri\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios ativos, e a cura \u00e9 resultado de intera\u00e7\u00f5es subjetivas, emocionais, culturais, e fundamentalmente espirituais.<\/li>\n\n\n\n<li>Reivindicar ao Supremo Tribunal Federal (STF), que n\u00e3o permita, nem legitime nenhuma reinterpreta\u00e7\u00e3o retr\u00f3grada e restritiva do direito origin\u00e1rio \u00e0s nossas terras tradicionais. Esperamos que, no julgamento do Recurso Extraordin\u00e1rio 1.017.365, relacionado ao caso da Terra Ind\u00edgena Ibirama Laklan\u00f5, do povo Xokleng, considerado de Repercuss\u00e3o Geral, o STF reafirme a interpreta\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o brasileira de acordo com a tese do Indigenato (Direito Origin\u00e1rio) e que exclua, em definitivo, qualquer possibilidade de acolhida da tese do Fato Ind\u00edgena (Marco Temporal);<\/li>\n\n\n\n<li>Exigir que todo o Poder Judici\u00e1rio que, no \u00e2mbito da igualdade de todos perante a lei, fa\u00e7a valer nosso direito \u00e0 diferen\u00e7a e, portanto, o nosso direito de acesso \u00e0 justi\u00e7a. Garantir uma sociedade justa e democr\u00e1tica significa assegurar o direito \u00e0 diversidade, tamb\u00e9m previsto na Constitui\u00e7\u00e3o. Exigimos o respeito aos tratados internacionais assinados pelo Brasil, que incluem, entre outros, a Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), as Conven\u00e7\u00f5es da Diversidade Cultural, Biol\u00f3gica e do Clima, a Declara\u00e7\u00e3o da ONU sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas e a Declara\u00e7\u00e3o Americana dos Direitos dos Povos Ind\u00edgenas;<\/li>\n\n\n\n<li>Promover o aumento da representatividade das mulheres ind\u00edgenas nos espa\u00e7os pol\u00edticos, dentro e fora das aldeias, e em todos os ambientes que sejam importantes para a implementa\u00e7\u00e3o dos nossos direitos. N\u00e3o basta reconhecer nossas narrativas \u00e9 preciso reconhecer nossas narradoras. Nossos corpos e nossos esp\u00edritos t\u00eam que estar presentes nos espa\u00e7os de decis\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>Combater a discrimina\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas nos espa\u00e7os de decis\u00e3o, especialmente das mulheres, que s\u00e3o v\u00edtimas n\u00e3o apenas do racismo, mas tamb\u00e9m do machismo;<\/li>\n\n\n\n<li>Defender o direito de todos os seres humanos a uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, sem agrot\u00f3xicos, e nutrida pelo esp\u00edrito da m\u00e3e terra;<\/li>\n\n\n\n<li>Assegurar o direito a uma educa\u00e7\u00e3o diferenciada para nossas crian\u00e7as e jovens, que seja de qualidade e que respeite nossas l\u00ednguas e valorize nossas tradi\u00e7\u00f5es. Exigimos a implementa\u00e7\u00e3o das 25 propostas da segunda Confer\u00eancia Nacional e dos territ\u00f3rios etnoeducacionais, a recomposi\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es e espa\u00e7os institucionais, a exemplo da Coordena\u00e7\u00e3o Geral de Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena na estrutura administrativa do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o para assegurar a nossa incid\u00eancia na formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena e no atendimento das nossas demandas que envolvem, por exemplo, a melhoria da infraestrutura das escolas ind\u00edgenas, a forma\u00e7\u00e3o e contrata\u00e7\u00e3o dos professores ind\u00edgenas, a elabora\u00e7\u00e3o de material did\u00e1tico diferenciado;<\/li>\n\n\n\n<li>Garantir uma pol\u00edtica p\u00fablica indigenista que contribua efetivamente para a promo\u00e7\u00e3o, o fomento, e a garantia de nossos direitos, que planeje, implemente e monitore de forma participativa, dialogada com nossas organiza\u00e7\u00f5es, a\u00e7\u00f5es que considerem nossas diversidades e as pautas priorit\u00e1rias do Movimento Ind\u00edgena;<\/li>\n\n\n\n<li>Reafirmar a necessidade de uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que combata a viol\u00eancia contra a mulher ind\u00edgena, culturalmente orientada \u00e0 realidade dos nossos povos. As pol\u00edticas p\u00fablicas precisam ser pautadas nas especificidades, diversidades, e contexto social de cada povo, respeitando nossos conceitos de fam\u00edlia, educa\u00e7\u00e3o, fases da vida, trabalho e pobreza.<\/li>\n\n\n\n<li>Dar prosseguimento ao empoderamento das mulheres ind\u00edgenas por meio da informa\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o dos nossos direitos, garantindo o pleno acesso das mulheres ind\u00edgenas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o formal (ensino b\u00e1sico, m\u00e9dio, universit\u00e1rio) de modo a promover e valorizar tamb\u00e9m os conhecimentos ind\u00edgenas das mulheres;<\/li>\n\n\n\n<li>Fortalecer o movimento ind\u00edgena, agregando conhecimentos de g\u00eanero e geracionais;<\/li>\n\n\n\n<li>Combater de forma irredut\u00edvel e inegoci\u00e1vel, posicionamentos racistas e anti-ind\u00edgenas. Exigimos o fim da viol\u00eancia, da criminaliza\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o contra os nossos povos e lideran\u00e7as, praticadas inclusive por agentes p\u00fablicos, assegurando a puni\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis, a repara\u00e7\u00e3o dos danos causados e comprometimento das inst\u00e2ncias de governo na prote\u00e7\u00e3o das nossas vidas.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Por fim, reafirmamos o nosso compromisso de fortalecer as alian\u00e7as com mulheres de todos os setores da sociedade no Brasil e no mundo, do campo e da cidade, da floresta e das \u00e1guas, que tamb\u00e9m s\u00e3o atacadas em seus direitos e formas de exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos a responsabilidade de plantar, transmitir, transcender, e compartilhar nossos conhecimentos, assim como fizeram nossas ancestrais, e todos os que nos antecederam, contribuindo para que fortale\u00e7amos, juntas e em p\u00e9 de igualdade com os homens, que por n\u00f3s foram gerados, nosso poder de luta, de decis\u00e3o, de representa\u00e7\u00e3o, e de cuidado para com nossos territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Somos respons\u00e1veis pela fecunda\u00e7\u00e3o e pela manuten\u00e7\u00e3o de nosso solo sagrado. Seremos sempre guerreiras em defesa da exist\u00eancia de nossos povos e da M\u00e3e Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Bras\u00edlia (DF), 14 de agosto de 2019<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante cinco dias de rodas de conversas, debates e constru\u00e7\u00f5es de propostas em prol das mulheres ind\u00edgenas dos 6 biomas brasilierios, em Bras\u00edlia, as representantes de mais de 130 povos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":5018,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1.jpeg",1280,1280,false],"thumbnail":["https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-300x300.jpeg",300,300,true],"medium_large":["https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-768x768.jpeg",768,768,true],"large":["https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-1024x1024.jpeg",887,887,true],"sgg-420":["https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-420x420.jpeg",420,420,true],"sgg-540":["https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-540x540.jpeg",540,540,true],"sgg-780":["https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-780x780.jpeg",780,780,true],"1536x1536":["https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1.jpeg",1280,1280,false],"2048x2048":["https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1.jpeg",1280,1280,false],"homepage-slider":["https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-1270x500.jpeg",1270,500,true],"homepage-slider-small":["https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-947x500.jpeg",947,500,true],"page-top":["https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-947x947.jpeg",947,947,true],"page-small":["https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-624x624.jpeg",624,624,true],"loop-main":["https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-365x240.jpeg",365,240,true],"thumb-gallery-widget":["https:\/\/portal.pi.gov.br\/sempi\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-15-at-08.30.11-1-84x56.jpeg",84,56,true]},"post_excerpt_stackable":"<p>Durante cinco dias de rodas de conversas, debates e constru\u00e7\u00f5es de propostas em prol das mulheres ind\u00edgenas dos 6 biomas brasilierios, em Bras\u00edlia, as representantes de mais de 130 povos ind\u00edgenas que participaram da I Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas, em destaque a delega\u00e7\u00e3o piauiense que levou as etnias Akro\u00e1, Gamela, Guegu\u00ea de Sangue, Guajajara, Kariri, Tabajara Tapuio, Tabajara de Piripiri, Warao Venezuela, construiram propostas que dar visibilidade a mulher ind\u00edgena e garante a sobreviv\u00eancia do seu povo respeitando os costumes e tradi\u00e7\u00f5es de cada aldeia. 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