Doenças

  • Doenças Nervosas

3.1 Scrapie : É uma neuropatia degenerativa crônica, não febril, fatal e transmissível de ovinos e caprinos adultos, caracterizada clinicamente por prurido, anormalidades na marcha e por um período de incubação muito longo. Esta enfermidade faz parte de um grupo de encefalopatias espongiformes, nas quais se incluem a Encefalopatia Transmissível do Visom (ETV), a Encefalopatia Espongiforme Bovina (A Síndrome da Vaca Louca), a doença da emaciação 10 crônica do veado-orelhudo e do veado-nobre cativos, a Kuru e a doença de Creutzfeldt-Jakob, as duas últimas em humanos.

Controle: Não há vacinas disponíveis. Em nosso país é considerada doença de notificação obrigatória. Todos os casos clínicos devem ser abatidos (ascendentes e descendentes), assim como todos os animais que entraram em contato. O terreno deve ficar no mínimo 2 meses sem animais, estábulos e abrigos devem ser desinfetados com uma solução detergente a 2% (soda cáustica). No Reino Unido, há uma preocupação de se destruir as carcaças, pois a doença passou de ovinos para bovinos através da farinha de carne produzida a partir de ovinos infectados. Devem-se tomar cuidados especiais para evitar o contato entre animais suscetíveis e a placenta de animais possivelmente infectados.

3.2 Artrite e Encefalite Caprina (CAE): É uma doença viral que se manifesta mais frequentemente em caprinos leiteiros adultos como uma artrite e uma mastite não responsivas crônicas, e em caprinos jovens como uma encefalite (leucoencefalomielite).

Controle O controle depende da identificação dos animais infectados e da manutenção dos mesmos fisicamente separados dos não-infectados. Pode-se reduzir a taxa de infecção dos caprinos recém-nascidos em mais de 90% por meio da remoção dos cabritos das cabras infectadas a medida que passam pelo canal do parto, oferecendo-se a eles um colostro aquecido a 56°C por 1 hora, pasteurizando o leite e criando-os isolados dos caprinos infectados.

  • Doenças Respiratórias

3.3 Maedi -Visna (Pneumonia Progressiva) É uma doença viral progressiva, crônica e fatal de ovinos e caprinos adultos. O vírus afeta principalmente pulmões e úbere, mas o SNC e as articulações também podem ser afetados.

Controle: A alternativa mais racional de controle é a identificação e eliminação dos ovinos sorologicamente positivos. Deve-se evitar que o cordeiro mame o colostro de ovelhas infectadas, dando a eles colostro de ovelhas não infectadas ou colostro de vaca. Deve-se repetir os testes sorológicos a intervalos de 6 meses, até que 3 testes negativos sejam obtidos.

3.4 Pneumonia Verminótica: É uma infecção crônica e prolongada de ovinos e caprinos, causada por nematódeos pulmonares, caracterizada por distúrbios respiratórios e patologicamente por bronquite e broncopneumonia.

Controle: O controle deve considerar o uso de pastagens livres de larvas infectantes para pastoreio de cordeiros desmamados. Isso se consegue utilizando pastoreio alternado com outras espécies animais, esses potreiros devem ser pastoreados por um período mínimo de dois meses. No sudeste europeu, uma vacina contra D. filaria, constituída de larvas infectantes atenuadas, irradiadas pelos raios-X, administrada por via oral em 2 doses com intervalo de 4 semanas, é utilizada com sucesso.

  • Doenças Digestivas

3.5 Coccidiose em ovinos e caprinos (Diarréia Hemorrágica): É uma invasão, geralmente aguda, com destruição da mucosa intestinal por protozoários dos gêneros Eimeria ou Cryptosporidium, caracterizada por diarréia, febre, inapetência, perda de peso, emaciação e, algumas vezes, morte. A coccidíase é a infecção dos animais por coccídios, porém sem sinais clínicos aparentes. Geralmente o termo Coccidiose refere-se a doença causada por protozoários do gênero Eimeria.

Controle: Em cordeiros e cabritos o controle eficiente é possível evitando-se a superpopulação, proporcionando aos animais áreas limpas e bem drenadas e removendo-se a cama freqüentemente para evitar a esporulação dos oocistos. Os cochos de ração e água devem estar a uma altura suficiente para evitar contaminação fecal intensa. Deve-se evitar a colocação de ração sobre o chão, principalmente em piquetes com superpopulação de animais. Algumas drogas coccidiostáticas podem ser utilizadas na prevenção da doença, os ionóforos como a monensina e o lasalocid são bastante eficientes.

3.5 Enterotoxemias (infecção por Clostridium perfringens): O Clostridium perfringens se encontra largamente distribuído no solo e no trato alimentar dos animais, e se caracteriza por sua capacidade de produção de exotoxinas potentes, algumas das quais são responsáveis por enterotoxemias específicas. Identificaram-se 6 tipos (A, B, C, D, E e F) com base nas toxinas produzidas e foram identificadas 12 exotoxinas, nomeadas com letras do alfabeto grego.

3.6 Enterotoxemia causada pelo Clostridium perfringens tipo A: O papel do Clostridium perfringens tipo A na patogenia das doenças dos animais é incerto, porque o microrganismo faz parte da flora bacteriana das vias digestivas de muitos animais sadios. Entretanto, há relatos isolados de mortalidade causada por esse agente em ovinos e bovinos na Austrália, cordeiros na Califórnia e bezerros e bovinos adultos no Reino Unido.

Controle: O controle é baseado na vacinação, sendo necessárias pelo menos duas doses com intervalo de 4 semanas. Os cordeiros e cabritos devem receber a primeira dose aos 2 meses de idade e reforço após 4 semanas, com revacinação anual. As ovelhas devem ser vacinadas no terço final da gestação, proporcionando assim altos títulos de anticorpos no colostro. Frente a um surto da doença, devemos revacinar todo o rebanho, e em áreas endêmicas recomenda-se a vacinação a cada 6 meses.

  • Doenças de Pele e Olhos:

3.7 Ectima Contagioso (Dermatite pustular): Ectima é uma enfermidade viral altamente contagiosa de ovinos e caprinos caracterizada pelo desenvolvimento de lesões pustulares e crostosas na pele do focinho e lábios e, menos freqüentemente, em outros locais.

Controle O controle é feito através de vacinação anual dos cordeiros, porém a vacina é produzida com vírus vivo e seu uso introduz o vírus na propriedade. Por isso a vacinação não deve ser usada em rebanhos onde nunca ocorreu a doença. A imunidade ocorre em 3 semanas após a vacinação e dura por 6 a 8 meses. A aplicação da vacina é feita por escarificação na axila, para evitar que a infecção se alastre por lambedura. Na Grã-Bretanha, ocorre a vacinação dos cordeiros aos 14 dias de vida e reforço após 6 a 8 semanas, no Uruguai e Rio Grande do Sul os animais são vacinados na ocasião da descola e assinalamento, ou seja, depois do nascimento do último cordeiro. Algumas evidências indicam que a imunidade para o Ectima é do tipo celular, nem a infecção natural nem a vacinação produzem resposta humoral forte, não havendo, portanto, imunidade passiva através do colostro. A vacinação simultânea com a castração, a descola, o assinalamento ou a colocação de brincos exige cuidados especiais para evitar a ocorrência de contaminação de feridas com o vírus vacinal, o que poderia causar a enfermidade.

3.8 Linfadenite Caseosa (Mal do caroço) É uma doença crônica contagiosa de ovinos e caprinos adultos, caracterizada pela formação de abscessos nos linfonodos, exerce poucos efeitos no estado geral dos animais, a menos que se generalize, o que ocorre muito raramente.

Controle: A erradicação da doença é difícil, pois os métodos de diagnóstico não detectam todos os animais infectados do rebanho. A palpação de linfonodos externos não detecta portadores subclinicamente infectados e inaparentes, incluindo aqueles com abscessos internos. Nos países que dispõe de vacinas comerciais os testes de campo apresentaram eficácia muito variável e limitada (25 a 90% de proteção). A eliminação dos animais clinicamente afetados e a adoção de medidas higiênicas para evitar novas infecções é a base do controle desta enfermidade em ovinos e caprinos. Devemos evitar soluções de continuidade durante a esquila e proceder a desinfecção das lesões 95 com soluções contendo iodo. Devem ser tomados cuidados especiais na desinfecção de tesouras, sala de esquila e mãos dos esquiladores. Os ovinos jovens devem ser tosquiados antes que os adultos e, em rebanhos infectados, devemos evitar banhos inseticidas imediatamente após a tosquia.

Referencias: Universidade Luterana do Brasil Curso de Medicina Veterinária. Professor: Paulo Ricardo Centeno Rodrigues

MICOPLASMOSE

O que é a Micoplasmose?

É um grupo de enfermidades e dentre elas as mais importantes em caprinos e ovinos são a pleuropneumonia contagiosa caprina, agalaxia contagiosa e a ceratoconjuntivite.

Quais os sintomas nos animais?

Na pleuropneumonia contagiosa caprina a ocorrência dos sintomas, em ovinos e caprinos, é influenciada por diversos fatores ambientais e de manejo. Os primeiros sinais clínicos observados são dificuldade na locomoção e febre, embora os animais continuem se alimentando e ruminando. Posteriormente, são observados sinais de dificuldade respiratória, tosse, corrimento nasal claro até purulento e salivação intensa. A agalaxia contagiosa, embora não apresente alta mortalidade, pode acometer todo o rebanho. Seu principal sinal clínico é a mastite com a redução ou completa parada na produção de leite. Além disso, há problemas nas articulações, sistema ocular, respiratório e reprodutivo, incluindo abortos. Na ceratoconjuntivite infecciosa os animais apresentam nos olhos: lacrimejamento, hiperemia da conjuntiva (vermelhidão), secreção ocular, tremores nas pálpebras, opacidade da córnea (olho branco), podendo levar a cegueira.

Como prevenir a Micoplasmose no seu rebanho?

Algumas medidas podem ser adotadas para controle e profilaxia, dentre elas:

● Isolamento e separação de animais com sintomatologia clínica do rebanho para tratamento;

● Realização de diagnóstico periódico no rebanho, inspeção dos animais e exames laboratoriais. É importante procurar instituições de assistência técnica para o apoio;

● Limpeza e desinfecção das instalações e equipamentos de ordenha;

 ● Cuidados com a saúde e a higiene do ordenhador;

 ● Medidas higiênicas do animal antes, durante e depois da ordenha;

 ● Implantação de linha de ordenha;

● Na aquisição de animais, realizar quarentena (isolamento dos animais e realização de exames);

● Em rebanhos infectados recomenda-se a separação das crias ao nascimento, impedindo contato com suas mães. Bem como fornecer colostro termizado (56 o C/60 minutos) procedente das mães ou substituir o mesmo por sucedâneo. Observação: O manejo do rebanho e do equipamento de ordenha incorreto e/ou com defeitos favorecem a contaminação pelo micoplasma.

REFERÊNCIAS: BOLETIM TÉCNICO MICOPLASMOSE: Conhecendo para Prevenir. Boletim elaborado pela equipe de Sanidade Animal da Embrapa Caprinos e Ovinos www.embrapa.br/caprinos-e-ovinos