O ano de 2025 foi marcado por planejamento, estruturação institucional e preparação técnica dos principais projetos estratégicos da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF) voltados ao desenvolvimento rural sustentável no Piauí. Os projetos Piauí Sustentável e Inclusivo (PSI) e Pilares II avançaram na organização de processos, contratação de serviços e mobilização territorial, criando as condições necessárias para o início efetivo das ações em campo a partir de 2026.
No projeto Piauí Sustentável e Inclusivo, a SAF teve papel central na execução do componente de segurança hídrica, considerado estratégico para a convivência com o semiárido. O projeto é fruto de um acordo de financiamento entre o Governo do Estado, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Banco Interamericano (BID), com foco na adaptação climática das populações rurais.
De acordo com o superintendente de Projetos Territoriais do Semiárido da SAF, Jairo Chagas Júnior, o projeto está estruturado em dois grandes eixos. “Esse projeto tem dois grandes componentes, um voltado para a segurança hídrica e outro para a implantação de planos de adaptação produtiva, com foco nas populações que vivem na região semiárida”, explicou.

Em 2025, a SAF concentrou esforços na contratação das infraestruturas hídricas previstas no projeto. Ao todo, foram iniciados os processos para a contratação de 4.835 cisternas, sendo 500 executadas por organizações da sociedade civil, por meio de chamamento público, e outras 4.335 via licitação com empresas de engenharia. “A contratação ocorre em 2025, mas a execução vai se dar mais fortemente em 2026”, destacou Jairo Chagas.
Segundo o gestor, as organizações da sociedade civil iniciaram a implantação das primeiras cisternas ainda em novembro deste ano, com expectativa de conclusão até abril de 2026. Já as cisternas contratadas por licitação devem ter execução intensificada no início do próximo ano, antes do período de estiagem. “A meta é entregar 4.845 cisternas em 2026, além de 228 sistemas de reuso de água, que vão permitir às famílias potencializar a produção e utilizar de forma racional um recurso que é escasso no semiárido”, afirmou.
Além da segurança hídrica, o PSI também avançou no componente de adaptação às mudanças climáticas, executado de forma integrada entre a SAF, o Instituto de Terras do Piauí (Interpi) e a Secretaria do Meio Ambiente (Semarh). No que cabe à SAF, 2025 foi dedicado à preparação e finalização do processo de contratação das empresas de assistência técnica que atuarão junto às famílias beneficiárias.

“Estamos contratando um serviço de assistência técnica por três anos, que vai beneficiar inicialmente 8.080 famílias, podendo chegar a mais de 10 mil, com foco na adoção de novas tecnologias, transição energética, uso racional da água e melhoria da infraestrutura produtiva”, explicou Jairo Chagas. As ações alcançarão 217 associações em sete territórios de desenvolvimento, fortalecendo a base produtiva da agricultura familiar e preparando o terreno para a implantação dos planos de adaptação produtiva em 2026, com foco em inovação e novas metodologias de acompanhamento técnico.
Pilares II
Já o Projeto Pilares II, iniciativa do Governo do Estado com apoio do Banco Mundial, também teve 2025 como um ano decisivo de preparação. O projeto terá atuação nos territórios do Norte e do Sul, com exceção da região semiárida, que será atendida pelo PSI.

Conforme explicou o superintendente de Projetos Territoriais do Norte e Sul da SAF, Evandro Cardoso, o período foi dedicado à construção das bases que garantirão uma execução sólida e transparente.
“O ano de 2025 foi essencialmente um ano de preparação, concentrado na construção das bases técnicas, institucionais e operacionais necessárias para que o projeto tenha uma implementação alinhada às diretrizes do Banco Mundial e às prioridades do Estado do Piauí”, afirmou.

Durante o ano, o Pilares II avançou na revisão e pactuação de documentos oficiais, no desenvolvimento de metodologias de trabalho e na estruturação de sistemas administrativos que permitirão a recepção e análise das cartas-consulta, que darão origem aos planos de investimento produtivo.
Paralelamente, o projeto intensificou a mobilização territorial e o diálogo social, com a realização de seminários e reuniões específicas com jovens, mulheres e povos e comunidades tradicionais.
“Esse conjunto de ações preparatórias foi fundamental para garantir a segurança técnica e jurídica, a coerência metodológica e a capacidade de execução do projeto”, ressaltou Evandro Cardoso.
Para 2026, a expectativa é de início da fase de consolidação e implementação do Pilares II, com a contratação de consultorias especializadas, o início da assessoria técnica em campo e a seleção das propostas que resultarão na implantação dos investimentos produtivos. “Será o momento de transformar o planejamento em ação concreta, metodologias em resultados e estratégia em impacto nos territórios”, afirmou.
Segundo o superintendente, a atuação integrada entre assistência técnica, desenvolvimento social, fortalecimento produtivo e gestão territorial deverá gerar impactos diretos na renda, na sustentabilidade das organizações e na melhoria das condições de vida das famílias beneficiadas.
“Seguimos com a convicção de que o desenvolvimento rural sustentável se constrói com planejamento, participação e execução responsável, sempre com os territórios e as pessoas no centro das decisões”, concluiu.
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