A Secretaria da Agricultura Familiar do Piauí (SAF) realizou nesta sexta (22), em parceria com o Centro Cocais, a entrega da premiação do concurso Inova Cocais, iniciativa voltada ao incentivo de soluções inovadoras para fortalecer a agricultura familiar, o empreendedorismo e o desenvolvimento sustentável no território dos Cocais. O grande destaque da edição foi o projeto desenvolvido por Gabriel Araújo Santos Sampaio, do município de Esperantina, vencedor do primeiro lugar com a proposta “Aproveitamento Integral das Cascas do Coco Babaçu para Produção de Combustível Sólido Doméstico”.
O projeto consiste na fabricação de briquetes produzidos a partir da casca do coco babaçu, material que geralmente é descartado pelas comunidades. A proposta transforma o resíduo em uma alternativa energética acessível, sustentável e de baixo custo para famílias rurais e urbanas.

Segundo Gabriel Sampaio, a ideia surgiu a partir da necessidade de criar soluções para problemas enfrentados pelas comunidades que trabalham com o babaçu. “O meu projeto veio com o objetivo de mitigar três problemáticas: o descarte da casca do coco babaçu, a fumaça causada pela queima desse material a céu aberto e também a dependência do gás de cozinha pelas famílias rurais”, explicou.
O jovem inovador destacou ainda o potencial econômico e sustentável do briquete e contou que a proposta surgiu após conhecer o edital do prêmio pelas redes sociais e pensar em formas de contribuir com as quebradeiras de coco da região. “Muitas pessoas gastam de 100 a 120 reais com gás de cozinha. Esse briquete de casca de coco babaçu queima mais do que o carvão convencional feito de eucalipto e pode ser utilizado tanto pelas famílias do campo quanto da cidade. Eu comecei a procurar meios que pudessem ajudar essa comunidade. Foquei nas quebradeiras de coco e pensei em como reaproveitar essa casca para gerar renda, tanto de forma indireta, usando para o fogo, quanto de forma direta, com a venda do produto”, destacou.

O coordenador do Centro Cocais, Mauro Rodrigues, ressaltou que o prêmio nasceu da parceria entre o Centro Cocais e a SAF para incentivar jovens do território a desenvolver soluções voltadas às necessidades das comunidades rurais.
“O Centro Cocais e a SAF se juntaram para desafiar jovens da nossa região a criar soluções que possam contribuir com a agricultura, com os empreendedores e com os agricultores familiares. Tivemos 20 tecnologias inscritas, entre aplicativos e outras soluções, e hoje estamos realizando a entrega dessas iniciativas que podem contribuir diretamente com quem está na ponta”, afirmou.

Mauro Rodrigues também destacou a importância do incentivo à permanência da juventude em seus territórios de origem e a expectativa de que os projetos premiados possam ganhar escala e alcançar mais agricultores familiares.
“São iniciativas pensadas por jovens da nossa região, de São João do Arraial e de outros municípios, que ajudam essas juventudes a permanecerem em seus locais de origem, criando oportunidades e contribuindo para o desenvolvimento regional. A ideia agora é buscar parceiros e financiadores para ampliar essas tecnologias. O Centro Cocais já pensa em apoiar iniciativas para os agricultores que acompanhamos, mas queremos expandir ainda mais. Isso pode gerar trabalho, renda e facilitar a vida de muitas pessoas que irão usufruir dessas tecnologias”, completou.

A secretária da Agricultura Familiar, Rejane Tavares, destacou que o Inova Cocais representa um incentivo à juventude rural para pensar soluções sustentáveis voltadas à própria realidade das comunidades. Segundo ela, o concurso estimula novas formas de produção, reaproveitamento de materiais e geração de renda na agricultura familiar.
“O Inova Cocais é um concurso que nós da SAF desenvolvemos em parceria com o Centro Cocais para estimular os jovens da região, oriundos da agricultura familiar, a produzir inovações, novas formas de produção e de aproveitamento de materiais que possam agregar valor e gerar renda”, afirmou.

A secretária ressaltou ainda a importância do projeto vencedor, que transforma a casca do coco babaçu em carvão sustentável com menor impacto ambiental e maior potencial de comercialização. “É uma tecnologia já utilizada de forma rústica, mas que agora ganha um novo sistema, com menos poluição, maior rentabilidade e possibilidade de comercialização de um carvão sustentável, sem necessidade de derrubada de árvores, utilizando apenas o coco babaçu que cai naturalmente”, explicou.
Rejane Tavares também destacou que os projetos premiados serão difundidos entre agricultores familiares por meio do Centro Cocais, fortalecendo práticas sustentáveis e inovadoras no território, e que a iniciativa deve ser ampliada para outras regiões do estado. “São jovens pensando sobre a sua realidade, construindo e transformando a sua realidade. Só em trabalhar esse tipo de inovação, que preserva o meio ambiente, agrega valor e gera renda, já temos um grande benefício para o território. Foi a primeira experiência do Inova e agora queremos expandir para os demais territórios onde a SAF atua. A ideia é realizar, no fim do ano, o Inova Piauí, reunindo jovens de todo o estado para desenvolver novas soluções para a agricultura familiar”, completou.

O concurso distribuiu R$ 12 mil em premiações. O primeiro colocado recebeu R$ 6 mil e o Troféu Inovação Jovem Cocais. O segundo lugar foi premiado com R$ 4 mil, enquanto o terceiro recebeu R$ 2 mil, além de certificados de reconhecimento.
Ao todo, 20 jovens, com idades entre 15 e 29 anos, participaram da seleção com propostas distribuídas em três categorias: invenções mecânicas e implementos rurais; tecnologias digitais para gestão e comercialização; e soluções voltadas à sustentabilidade.

O segundo lugar ficou com Francisco José Alves de Sousa, autor do projeto “Criação e Conservação de Abelhas Nativas Sem Ferrão”. Desenvolvida em parceria com Jackson Luan, a iniciativa surgiu a partir de pesquisas realizadas por Francisco ainda em 2023, quando ele conheceu técnicas de captura de abelhas utilizando iscas feitas com garrafas PET na Escola Família Agrícola (EFA) Santa Ângela, em Pedro II. “Foi uma ideia que surgiu no final de 2023 com a pesquisa. Isso me despertou a pesquisar e aprender mais sobre essa área das abelhas sem ferrão”, relatou o jovem, que montou um meliponário e posteriormente ampliou a estrutura para melhorar o manejo e a proteção das colônias.
Além da preservação das espécies nativas, o projeto também destaca o potencial econômico da criação racional de abelhas sem ferrão para agricultores familiares. Segundo Francisco, a atividade pode gerar renda por meio da comercialização de mel, própolis, sabonetes e até assistência técnica para novos criadores. O estudante também ressaltou a importância ambiental da iniciativa. “Há necessidade de manter essas abelhas salvas. Se elas desaparecerem, isso vai afetar toda a flora e, consequentemente, toda a fauna. Elas são fundamentais para manter os ecossistemas em equilíbrio”, destacou.

Já o terceiro lugar foi conquistado por Samuel Costa do Nascimento, de São João do Arraial, com o projeto “Compostagem de Dejetos Suínos para Agricultura Familiar”. A proposta transforma resíduos da criação de suínos em adubo orgânico por meio da compostagem, utilizando materiais disponíveis nas próprias unidades produtivas.
“A gente utiliza os dejetos, mistura com material seco e transforma em adubo orgânico para utilizar na área agrícola e também para venda, gerando sustentabilidade e renda”, explicou Samuel. Segundo ele, a ideia surgiu a partir do acompanhamento técnico realizado pelo Centro Cocais e da necessidade de encontrar uma solução para o grande volume de resíduos gerados nos chiqueiros.
