A atividade enfrenta alguns desafios como a falta de licenciamento ambiental, outorga, comercialização, organização da cadeia, não só no Piauí, como em todo o Brasil.
A Secretaria de Agricultura Familiar (SAF) realizou, nos dias 3 e 4 de abril, uma palestra para discutir ações de incentivo à piscicultura no estado. A atividade é focada no cultivo de peixes de diferentes espécies como a tilápia, tambaqui e piau.
Para debater o tema, foi convidado o cientista-chefe da Economia Azul da Funcap, Felipe Matia, representantes e trabalhadores da atividade do território Cocais. No encontro, Felipe Matia destacou a importância das discussões em torno do tema para que avanços possam ser feitos.
“O que precisávamos fazer era ouvir, dos beneficiados, os principais problemas, as limitações e discutir conjuntamente as soluções que possam melhorar a produção. E tivemos a clareza de perceber que precisamos identificar quem é o agricultor familiar, e ter uma melhor organização da produção e a parte administrativa, e uma maior assistência técnica, que é a alma do negócio”, disse.
Já o superintendente da Ações de Apoio à Agricultura Familiar (SAAF), Clébio Coutinho, apontou que a palestra foi essencial para montar estratégias de fomento à cadeia de produção da piscicultura e aquicultura que enfrenta desafios no estado.
“Há um conjunto de gargalos que impedem o desenvolvimento da atividade, e aqui discutimos sobre quais as saídas que os produtores e instituições podem, juntos, levar para dinamizar a produção no território. Estamos concluindo um compromisso de fazer um projeto piloto no território Cocais, a partir da criação de uma cooperativa para fortalecer e desenvolver o setor da piscicultura e aquicultura, e montar estratégias de como a SAF vai trabalhar essa importante cadeia”, disse.
O presidente da Associação Tamanduá, de piscicultura em Miguel Alves, João Paulo Araújo, citou alguns dos problemas que os trabalhadores rurais enfrentam em relação à atividade, como a falta de investimento.
“Os principais problemas são a falta de investimento, crédito, licenciamento ambiental, outorga e, principalmente, a comercialização. Existem muitos pequenos produtores que sabem produzir, mas ficam travados quando precisam comercializar”, disse.
João Paulo enfatizou, ainda, que, apesar de existir crédito para produção, ele é limitado por não ser focado na piscicultura, sendo às vezes utilizado recursos próprios para a produção. Um dos principais desfalques é em relação aos insumos para a criação de peixes.
Presente no evento, o presidente da Câmara Setorial de Piscicultura do território Cocais, Luís Vicente da Silva, ressaltou que o encontro incentiva uma maior busca de tecnologias e conhecimentos para aprimorar a atividade, beneficiando principalmente o pequeno aquicultor.
“Existem muitas coisas a melhorar, o melhor é deixar que o aquicultor tenha assistência técnica e que ele venda por conta própria, e para isso precisamos de estrutura, deixar caminhar por si só. E como seria essa estrutura? Com a existência de uma unidade de beneficiamento do pescado”, afirmou.
Segundo Luís Vicente, apenas na região do território dos Cocais, há em torno de 1.200 agricultores que trabalham diretamente com a piscicultura, e cerca de 200 que só vivem da piscicultura. No Piauí ele afirma haver cerca de 7 mil agricultores que trabalham na categoria.
Durante a apresentação, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que, em 2023, a piscicultura no Piauí produziu 21 mil toneladas de peixes, superando a meta estipulada de 16 mil toneladas. No entanto, Felipe Matia destacou um descompasso na distribuição dos piscicultores e salientou a necessidade de vistorias em campo para identificar com mais precisão o número real de trabalhadores da atividad
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