Por Cyntia Veras/Ascom DIVISA
A saúde do trabalhador no Piauí vem sendo estruturada desde 2003, com a habilitação do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) Estadual. Atualmente, a rede conta com cinco CERESTs Regionais localizados nos municípios de Bom Jesus, Parnaíba, Uruçuí, Picos e Teresina. Apesar dos avanços conquistados ao longo das últimas duas décadas, a extensão territorial do estado ainda representa um desafio para a cobertura integral das ações de Vigilância em Saúde do Trabalhador.
Um dos principais desafios identificados está relacionado aos Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho (TMRT). A Secretaria de Estado da Saúde (SESAPI), por meio do CEREST Estadual, publicou nesta segunda-feira (08), o Boletim Informativo com a análise dos registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), que revelou a ausência de notificações nos anos de 2015, 2016, 2018, 2019 e 2020. Os registros ocorreram apenas em 2017 e entre 2021 e 2025, totalizando 44 casos notificados em todo o estado.
Os dados demonstram que os transtornos mentais relacionados ao trabalho atingem profissionais de diferentes áreas. Entre as ocupações com maior número de notificações estão os trabalhadores da saúde, com nove casos registrados, seguidos pelos vendedores do comércio varejista, com seis casos. Trabalhadores da agropecuária e profissionais de atendimento e informações ao público aparecem na sequência, com quatro registros cada.

O perfil epidemiológico mostra predominância de notificações entre mulheres, que representaram 25 dos 44 casos registrados. Os homens somaram 19 notificações. A análise da situação ocupacional aponta que a maior parte dos casos ocorreu entre trabalhadores com vínculo formal de emprego, representando 18 notificações.
Outro dado que chama atenção é a baixa emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). Apenas nove notificações possuíam o documento registrado, o que evidencia dificuldades no reconhecimento formal da relação entre o adoecimento mental e as condições de trabalho.
O cenário sugere que muitos casos não chegam aos sistemas oficiais de informação, seja por dificuldades no diagnóstico, desconhecimento dos fluxos de notificação, receio dos trabalhadores em sofrer represálias ou mesmo pela dificuldade em estabelecer o nexo causal entre trabalho e sofrimento psíquico.
“A SESAPI faz um apelo a todos os profissionais notificadores que estão dentro das instituições públicas e empresas privadas do Piauí, para que façam essas notificações no Sistema e ao realizar a CAT, ele também deve fazer essa notificação no SINAN, pois se não fizer dessa forma, os órgãos da saúde não tem a visão real dos problemas que ocorrem dentro do Estado em relação aos agravos a esses trabalhadores em qualquer atividade econômica que ele esteja, o que impossibilita que o Estado haja de forma célere em programas e políticas voltadas para esse trabalhador reduzindo o risco de seu adoecimento”, destacou a diretora da Vigilância Sanitária do Estado, Tatiana Chaves.
Diante desse contexto, torna-se fundamental fortalecer a Vigilância em Saúde do Trabalhador, ampliar as ações de educação permanente para os profissionais de saúde e integrar as atividades de vigilância e assistência. O reconhecimento dos transtornos mentais como agravos relacionados ao trabalho é essencial para o desenvolvimento de estratégias de prevenção, promoção da saúde e construção de ambientes laborais mais saudáveis.
Fortalecer a notificação e a vigilância dos transtornos mentais relacionados ao trabalho é um passo fundamental para proteger a saúde dos trabalhadores, minimizar o sofrimento psíquico e promover condições de trabalho mais seguras, saudáveis e humanizadas em todo o Piauí.
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