Por: Sana Moraes / Ascom Hemopi
A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) realizou, nesta quinta-feira (18), mais uma etapa do curso Acupuntura para Médicos da Atenção Básica (AMAB), desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A fase presencial da capacitação ocorre nos dias 18 e 19 de junho e 2 e 3 de julho, no Hemopi, em Teresina.
A iniciativa integra uma parceria com o Ministério da Saúde e tem como objetivo qualificar médicos da Atenção Primária à Saúde para a utilização da acupuntura como ferramenta complementar no cuidado aos pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com o médico acupunturista e professor doutor em Clínica Médica da UFSC, Li Shih Min, o curso surgiu a partir de uma experiência local que alcançou resultados positivos.
“Estamos na etapa final da capacitação. Ao longo do curso, os participantes cumpriram uma carga horária de 160 horas. Agora, nos encontros presenciais, vamos trabalhar a prática da inserção e manipulação das agulhas. O público é formado, prioritariamente, por profissionais da Estratégia Saúde da Família e da Medicina de Família e Comunidade”, explica.
O programa busca integrar conhecimentos da Medicina Tradicional Chinesa às práticas da medicina contemporânea, ampliando as possibilidades terapêuticas disponíveis na Atenção Primária à Saúde.

Para o médico Edmilson Marques, um dos ministrantes do curso, a acupuntura pode contribuir significativamente para o atendimento das demandas mais frequentes das Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
“As queixas mais comuns da atenção primária estão relacionadas às dores crônicas e à saúde mental. A acupuntura pode ser utilizada como alternativa terapêutica inicial para esses casos, além de auxiliar no manejo de sintomas ainda sem diagnóstico definido. Trata-se de uma ferramenta adicional que amplia a capacidade de cuidado da atenção primária e, em alguns casos, pode até mesmo ser utilizada como primeira opção terapêutica”, afirma.
Segundo o especialista, outro diferencial da acupuntura é o baixo custo do tratamento e sua integração com outras formas de cuidado.
“Ela também pode ser entendida como uma estratégia de prevenção quaternária, pois contribui para evitar intervenções mais complexas, tratamentos mais caros e o uso excessivo de medicamentos quando não há necessidade”, ressalta.

Entre os benefícios da incorporação da acupuntura à rotina da Atenção Primária à Saúde estão a redução das filas de espera para atendimentos especializados, o manejo mais rápido de dores crônicas e outras queixas, além da diminuição do uso indiscriminado de analgésicos, anti-inflamatórios e ansiolíticos. A prática também fortalece a humanização do atendimento ao promover uma abordagem integral da saúde do paciente.
A coordenadora de Atenção Primária à Saúde da Sesapi, Virginia Pinheiro, destaca que a capacitação integra as estratégias da Secretaria para fortalecer as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) no estado.
“A ampliação da oferta da acupuntura nas unidades básicas de saúde fortalece o cuidado integral ao usuário do SUS. Além de contribuir para a redução do uso de medicamentos em determinadas situações, a prática qualifica a assistência prestada, fortalece a atenção primária e promove mais qualidade de vida para a população”, destaca a coordenadora.
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